segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Estamos indo

Como estão as coisas? - Estão indo ...
Indo para onde, mãe? -Sei lá! Se eu soubesse já tinha ido!
Esse foi um recente diálogo entre minha mãe e minha avó. A senhora que se soubesse aonde ir já estaria lá, tem  noventa e dois  anos e ouviu do geriatra que deve viver até os 104 anos, o que, segundo ela, é um absurdo. Até entendo minha avó. O cansaço que, às vezes, a gente sente em viver.  Afinal, a idade da alma, nem sempre acompanha o que dita o nosso corpo.  Reproduzo o diálogo porque  ele representa bem o que desejo nesse virada de ano  para as pessoas que fazem parte da minha história ou simplesmente estão por ai. Todos estamos indo e se soubéssemos para onde, talvez  estivéssemos lá ou não. Que sem graça essa história de adivinhar o futuro...Ele é tão previsível. Para mim, reside em se construir e ser feliz neste momento.O misterioso destino nos prega peças, nos faz não comer nada (para quem não é vegetariano)  que cisca ou anda para trás no Ano Novo, somente para  que a vida não desande. Estamos todos indo em frente, em círculos e às vezes dando uma ré, independente do que se tenha à mesa. Fazer o que? A sabedoria vem com o tempo, com o viver,  os altos e baixos. 2012 tem que ser assim, uma ida constante para algum lugar...O mundo vai acabar? O  que sei é que uma celebridade vai morrer, um avião vai cair, o chão vai tremer em algum lugar... Sei também que alguém vai nascer, muito sorriso e gargalhada , acontecer... Alguém vai partir, outro chegar e esse ciclo nos levará ano afora...Estamos indo rumo a 2012 , a um futuro que não tem endereço certo, mas que com certeza vai valer muito, tanto como vale viver embora, de vez em quando, até canse um pouquinho. Abraços e esperança como energético...Saúde, paz  e caminhos abertos... Que o Ano Novo seja feliz e abençoado! Simples como ir.

domingo, 27 de novembro de 2011

Anjos

Clarice Lispector: "Ela acreditava em anjo e, porque acreditava, eles existiam." Estava pensando sobre essa frase...Desde pequena acredito em anjos. Primeiro, eles tinham asas, com elas me acolhiam e protegiam de todo mal que pudesse estar ao meu redor. Podiam voar, que delícia! Cresci e cresceram meus medos. O medo de entrar mar adentro, de altura, de que algo não desse certo, das perdas... E quanto mais cresci, mas cresceu a certeza de que anjos existem. Eles deixaram de ter asas e passaram a ser também o outro que não é pintado, nem descrito em obras, que não é perfeito, mas se manifesta. O anjo está em quem  oferece ombro, abraço, colo; em quem não deixa você desistir nos últimos minutos da corrida; que incentiva; que surpreende com pequenos ou grandes gestos de bondade. O anjo está no sorriso de quem agradece, solicita, doa, perdoa... Eu acredito em atos de carinho e na proteção de quem nos quer bem... O anjo e suas asas  talvez não possamos ver, mas a  sua manifestação está no nosso cotidiano, a nos proteger, incentivar e alegrar. Na existência  do outro  pode estar um anjo.  E porque acredito, como dizia Clarice, definitivamente, eles existem.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Se sentir

Tem dia em que parece que tudo desanda, do brigadeiro ao ovo cozido... A chamada Lei de Murphy não falha e a única coisa que a gente deseja é que ela fosse a Lei dos Muppets... Rir do que desanda, deve ser também uma arte. Em outros dias, o sentimento é de pequenez, de querer colocar um saco como roupa e nunca mais sair de casa, de esconder os esqueletos no armário e fingir que eles não existem ou simplesmente de ser um desconhecido...De vez em quando, mas só de vez em quando, precisamos da pausa dos poetas, venha ela carregada de drama ou de comédia.... Precisamos ser reflexivos e emotivos e sim, precisamos ficar só. Aquela vontade de se vestir como um saco e nunca mais sair, se esconder, se trancar em um lugar qualquer para ler um livro, ver um filme, ou simplesmente, chorar...Na minha vida, às vezes, esse sentimento de solidão é tao necessário quanto o de multidão. Acho mesmo que  aquele que  não aprende a ser só, talvez nunca aprenda a ser muitos... Quem não se sente um “lixinho” de vez em quando, não consegue se reciclar. A pausa ,que para muitos é negativa, pode ser o momento de sair do fundo e chegar a superfície. Respirar e compartilhar. Pausa.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O meu é melhor que o seu

Estava pensando em como somos melhores em tudo, apenas pelo fato de sermos. A idéia de perfeição que se persegue ao longo da vida, muita vezes, vem junto com a da competição. é como se fosse uma luta diária pela sobrevivência do meu melhor que o seu. Lembro que, quando meus filhos eram pequenos, tinha uma colega no trabalho que vivia dizendo como os dela eram perfeitos, eram primeiros nisso ou naquilo. Em um desses momentos TPM lembro de ter dito; “ quer saber, meus filhos são melhores que os seus !” Diante da perplexidade, acrescentei: “são melhores porque são meus!”. Nada de tom alto, gritos, mas de firmeza de quem sabe que isso é uma verdade. Porque não depende de beleza, inteligência... Com esse pequeno ataque coloquei fim a essa história de melhor que o seu. Não é só competição materna ou familiar, é no trabalho, nas viagens, na vida social, nos amigos,  nos amores... Cada namorado, marido ou amante perfeito,  que fazem a gente acreditar em vida extraterrestre. Devem ter vindo de algum planeta que não seja a terra. Que nada! É que o que me pertence, faz parte de mim, vai ser sempre melhor, mesmo quando é só meio.  Mesmo quando está meio errado, mesmo quando parece feio ou inacabado Não importa como você é avaliado pelo outro, ou se ele acha que é o melhor. Desde que esse melhor não seja uma competição, o que importa é ser, saber ser gente. O meio errado pode me ensinar a ser  todo certo. Sou completa quando o incompleto está por perto. Você pode não ser  perfeito no conceito e no olhar de muitos, mas você é perfeito para alguém. É para isso que existe o espelho. A ideia de se amar nos faz melhores. Tudo que é meu é melhor que o seu, mas que bom que o seu também é melhor que o meu. Acho que o mundo precisa do  que se pode chamar autoestima.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pai e pássaros

Meu pai amava os pássaros de um jeito que era todo dele...  O jeito de quem realmente conviveu com grandes dificuldades nessa vida  e mesmo assim aprendeu a ser feliz. Talvez a idéia de voar o atraísse muito e a liberdade não tivesse outra forma que não fosse a de uma ave. Meu pai encontrou seu jeito de voar há alguns anos ...Toda vez que vejo um Bem-te-vi tenho certeza que é também  um jeito dele  me dizer um olá e de que  vai ficar tudo bem.  Hoje  foi um desses dias, em que eu precisava de um desses "ois". Incrível como ele vem! Os pássaros e a liberdade combinavam com meu pai, como combinam com qualquer pessoa  que sabe amar do seu jeito. O amor nem sempre vem em grandes demonstrações, em grandes abraços, nem sempre  está  na perfeição. O ser imperfeito, às vezes, é o mais querido. O todo errado é o todo certo. O amor é conquista dos dois lados, até mesmo entre pais e filhos.  Às vezes está em uma pergunta, em um apelido carinhoso, na superação de uma decepção ... O amor, às vezes, está na compreensão de que todos erramos, que buscamos um caminho certo e de vez em quando, o encontramos. Meu pai tinha defeitos que eram na realidade qualidades.  O que para muita gente é só um pássaro pode ser a lembrança de um pai . Isso é ter muita sorte! Liberdade é o que desejo na saudade de um pai.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Para sua criança, feliz todos os dias

A criança que existe em nós tem uma data: todos os dias. Ela é aquele ser pequenino que não entende muito da confusão do mundo, não sabe porque as coisas erradas acontecem, mas lembra muito bem daquele puxão de cabelo, empurrão ou mordida . Acredita nos super-heróis, que eles existem para salvar o mundo e, por isso, vai estar sempre tudo bem. Não liga muito para o que o outro diz, a não ser  quando dizem que ela é feia, boba e que estão de mal com ela. Essa criança sorri e chora com a mesma intensidade. Tem os olhos brilhantes diante das coisas lindas e lacrimejantes diante das coisas tristes. Se você é uma pessoa linda - como todos somos - capaz de salvar um mundo- a começar pelo seu - essa criança vai estar sempre ali... Todos os dias aprendendo uma lição e tentando fazer desse planeta um lugar melhor. . É nessa criança que vive a esperança de fazer alguma diferença para as outras milhares, que vivem por tantos lugares,a precisar de ajuda. Ver desenho, sorrir, estender a mão e fazer a diferença...Feliz dia das crianças para você, para mim, e também para quem cresceu e esqueceu, mas pode se lembrar...Ter esperança é o melhor presente.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Onde moro eu

Não fale do que sou, fale do que fui para me tornar o que sou. O que fui contruiu pontes, plantou sementes, carregou pedras ou  desviou delas, algumas não conseguiu levantar,  negou e recebeu abraços...O que sou procura manter pontes, regar árvores, distribuir abraços, embora  relute em conceder alguns... Conquistas. Me apresente somente pelo meu nome. O que fui e o que sou moram bem aqui nessa pessoa.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Se faz parte de uma história

A gente descobre que faz parte de uma história quando, por mais que  se ache preparado ou  esteja  com o coração endurecido, as lágrimas passam a ser teimosas diante de uma situação. Ah, não era para chorar! Em algum momento, passamos por algo assim. Comemorações de um ano ou cem anos; formaturas, nossa ou de quem nos importamos; os primeiros qualquer algo: amor, emprego, carro, casa, sonhos, filhos, viagens...A prioridade quem determina é a vida. Se descobre parte de uma história quando o tempo passa e esse momento  continua intenso e  ganham  vida fotos, vídeos, músicas...Se faz parte de uma história quando se percebe  que ela também faz parte de você.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pessoas prediletas

Pessoas prediletas são aquelas que sempre estão quando e onde precisam estar. Que conquistamos e nos conquistam e,  não importa o tão alto ou tão baixo estejamos, não nos abandonam. São aquelas que nos importam  porque simplesmente se importam . Gritam, choram, amam e se divertem na mesma medida com que podem ser medidas na sua humanidade. Pessoas prediletas são aquelas que conheço desde sempre ou desde ontem . Que estão ali na ausência e na presença. Espalhadas pelo planeta, prediletas essas pessoas que fazem meu mundo melhor.Elas permanecerão.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Virar a página

Existe um momento na vida em que devemos virar a página, encerrar o capítulo e começar a escrever uma nova história. Assim são os términos e os recomeços. As histórias boas ou ruins estão escritas e merecem ser sempre revisitadas. Não é questão de rasgar, queimar, jogar fora  a página escrita, simplesmente porque não se muda o passado, nem os erros e acertos. Na minha vida estou sempre revisitando o que me fez crescer. Não esqueço o que fui e fiz e que me levou ao que sou.  Revisitar a vida, sem arrependimentos, é essencial para o futuro que escreveremos. Ser feliz .

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Saudade

" Talvez ninguém nunca esteja feliz com o hoje” ou " todo mundo sente saudade do que  não viveu". Comentários que ouvi sobre o filme "Meia noite em Paris" de Woody Allen. Explicações para  a vontade de se viver em um tempo que não existe mais, em uma época que passou e uma vida que não é a nossa. Tem momentos em que  essa é uma grande verdade, principalmente quando buscamos o passado ou imaginamos viver em um outro tempo, em que tudo poderia ter sido mais divertido, encantador, diferente.  Saudade do que vivemos, não vivemos e poderíamos ter vivido. Quem quer o conhecido, os mesmos passos, a mesma trajetória ,se o hoje não parece tão bom ?  Se pensamos que não sabemos  quem somos? O conhecido que queremos é aquele momento de felicidade perdido em um lapso de tempo. Acredito que o ontem, como o hoje e o amanhã são sim, uma questão de esperança.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A fila anda

"Sabia que você é a última da fila?" A pergunta, vinda de uma criança de uns quatro anos, me fez rir e reagir: "sou a última agora, mas logo não vou ser mais. É só chegar alguém, que a fila anda"... A criança faladeira continuou orgulhosa: "ah , mas minha mãe é a primeira" e a mãe do seu lugar: "não, eu sou a segunda". Essa conversa sobre primeiros, segundos e terceiros lugares  aconteceu na padaria, em uma noite dessas. Podemos mesmo estar em último, em algum momento qualquer, mas de repente, a fila anda e  nosso lugar já é outro. Pode ser um exercício de paciência , de conformidade, de recomeço, não importa. O certo é que quando a nossa fila anda, não vira notícia em jornais ou revistas, não que não seja um acontecimento, mas porque  é  imperceptível.  O primeiro lugar, o momento de pagar o pão, por assim dizer, chega do mesmo jeito. Reflexões sobre o cotidiano. A criança, que encontrei  na fila da padaria, ainda me apresentou a seu cachorro de pelúcia e acrescentou: " ele nasceu hoje". Mais um para a fila andar, nem que seja no reino da fantasia.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Amigo tem data

 
Engraçado amigo ter data... Amigo é todo dia, todas as horas, toda a vida. Aquele que cresce com a gente e que nos faz crescer também. Com quem choramos junto e rimos, que tem sempre excesso de abraço, colo e de puxões de orelha . Família que escolhemos de forma consciente e que aceitamos com suas qualidades e defeitos, nem sempre na mesma medida. Presente em todas as fases da nossa vida. Grudento, chiclete ... Perdido na mesma cidade, nas mudanças de tempo, no passar dos anos e encontrado, a qualquer momento, no nosso coração. Dia do amigo é todo dia e toda hora de reencontro. E como amigo tem data e não fui eu quem inventou:  feliz dia do amigo!.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Permita ao tempo

Uma das queixas que mais ouço é a de que o tempo está passando muito rápido, mal acordamos e chega a hora de dormir. Entre o começo e o fim tem trabalho, estudo, diversão, casa e tudo mais que o dia a dia nos traz com as alegrias, tristezas, ganhos e  perdas, contas a pagar e prêmios de loteria....Viver anda rápido. As teorias são as mais variadas e não vale  aquela de que crescemos, pois quando somos criança não temos tantas preocupações. Hoje, os  bebês só faltam nascer falando e andando. Outros, dizem que a culpa é da natureza com seus desastres naturais que mexeram no eixo da terra e  ainda tem aqueles que acreditam ser  2012 o fim de tudo. O certo é que os ponteiros do relógio correm e tem momentos que queremos ardentemente que ele seja modelo antigo,  para que esqueçamos de dar corda  e assim ter o poder de  parar o tempo. Relógio antigo e parado, tempo parado, vida parada. Que graça tem? Correr e se dar pausas e saber que se respira ou parar e nem perceber que se está vivo? Olhar o nascer e o por do sol sabendo que o tempo voa ou parar e virar uma paisagem? Prefiro o movimento, o tempo que não pára, a vida que anda, as coisas que acontecem, o relógio sempre a fazer tic tac e o coração tum tum. A vida é assim mesmo, letra de música, “déjà vu”, transformação. Estar no lugar certo na hora errada ou vice-versa...uma desordem para se colocar ordem. O tempo anda rápido, seja  qual for a sua teoria, realize o tempo. Dê  a ele uma chance ... Permita ao tempo que ele realize. 

terça-feira, 28 de junho de 2011

O que nos acompanha

Às vezes sinto saudade da minha adolescência, de todas as expectativas, sonhos e do desconhecido que estavam por vir. Outras vezes, sinto saudades da minha infância, da perspectiva que tinha do mundo, tão gigante ao meu redor e tão cor-de-rosa. De repente cresci e o que era desconhecido e gigante passou a ser companheiro e a ter um nome: destino. Ele nos faz companhia sempre, mais até do que aquele amigo/a chiclete com quem andamos grudados determinadas fases de nossa vida e que muda de cara, a medida que mudamos de idade. Ele está junto quando optamos por um caminho, ao invés de outro. Está ali, ao lado da família, que nos acompanha até um determinado ponto e depois nos deixa seguir. Tem gente que se habitua a ter alguém com quem partilhar o café da manhã, o almoço ou o jantar; com quem ir ao cinema, ao teatro, aos shows ou a padaria.... Nessa minha trajetória ao momento presente descobri que por mais que perca estou sempre ganhando e que, por mais que me sinta só, nunca estou. Se a solidão é companheira, não estou só; se o destino é companheiro, não estou só; se a vida é companheira, nunca estou só, estou viva. Viver implica em sofrer, conquistar, crescer, não necessariamente nessa ordem. Dar nome as coisas, as pessoas, aos sentimentos, fazer deles companheiros de estrada, pode ajudar a superar perdas, a que a saudade seja só saudade, a superar o estar só e a dar ao destino um sobrenome.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sobre simpatias e amor

Passou o dia dos Namorados, o de Santo Antonio também…. Aquelas datas que para alguns são um verdadeiro  suplicio ou, no popular, corta pulsos mesmo. Falta o amor, falta o casamenteiro, falta mais do que tudo, o enamorar-se de si mesmo. Falta a música erudita, o jazz, a MPB e o qualquer forma de amar. Faltam as flores, os bilhetes, os chocolates... Não adianta simpatia, santo de cabeça para baixo, dentro da água,  de castigo, quando se falta fé. Não adianta entrar em fila de milagres quando não se vê o milagre que se é. Mais do que acreditar em Deus é necessário a crença em si. A solidão é física, emocional e astral. Afinal de contas, nesses momentos, parece que o universo conspira contra. A gente precisa dar um empurrãozinho para o destino e começar a abrir portas para que o coração também se abra. Começar por si para chegar ao outro.  É um começo e pode dar certo.  

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O sucesso chegou?

Como saber se o sucesso chegou? Olhar para trás e descobrir o que se construiu, talvez seja  um começo . "Olhe para trás" foi o conselho de alguém para um amigo em dúvida  sobre em que ponto  ele se encontra na trajetória profissional e existencial. Conheço várias pessoas bem sucedidas e que,  por uma dessas cegueiras instântaneas ou permanentes, não se enxergam no lugar em que estão. Na realidade,quando olham para trás, são sempre aquela criança vítima de bullyng (quando nem se sabia que isso existia), desprezada, nunca o primeiro da fila, nem na chamada. São sempre aquele adolescente espinhento, apaixonado e não correspondido,  que sofria por boas notas. Estão de óculos, cabelos encaracolados, quando os queriam lisos, ou lisos quando os queriam encaracolados. Desejando a vida do outro, sem saber que o outro, também desejava a sua. Têm muito e se percebem pouco. O sucesso não se mede na conta bancária, no tamanho da casa, no avião particular ... O sucesso se constrói com um olhar para trás das conquistas e com um olhar de conquista pelo que estar por vir. Talvez seja um misto de otimismo e esperança. Talento para se ter sucesso é extrair de todos os momentos menos, o que  existe de mais e dessa forma, seguir em frente. Por isso a vida é feita de altos e baixos, às vezes mais de uns que de outros, talvez seja por isso que ela, sim, seja o verdadeiro sucesso.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Você é bom,bonito e inteligente

Acabei de ver uma matéria sobre uma pesquisa realizada com mulheres sobre beleza. No quesito o que você gosta em você mesma, quatro por cento responderam: nada. Como assim? Nem de poder respirar? Como estava em um café, ao lado do meu trabalho, um homem perguntou  o que é nada para uma mulher? Me fingi de morta, mas não de nada. É que  não estava com muita paciência para  começar uma conversa com um estranho sobre o nada feminino. Nada é nada mesmo. O nada é se sentir invisível e não ver motivos para ser notado porque a vida simplesmente está passando e você não está nela e o que é pior, não está nem aí. Alerta vermelho. Fukushima total. Em algum momento da vida, acredito que realmente "estamos" nada, o que não quer dizer que "somos" nada. O nada surge naqueles momentos de crise, de perdas, de fracasso, de bola fora. Quem nunca tirou uma nota baixa? Levou uma bronca ? Quem nunca, em um momento de se sentir a obra-prima da natureza, não ouviu uma crítica daquelas? Errou um compasso? Escreveu errado? Queimou um bolo? Lembro de uma vez ter lido em uma revista um especialista dizendo que devemos sempre falar para as crianças: “ você é boa, bonita e inteligente”. O ser bom, bonito, inteligente deveria ser ouvido durante toda a vida. Podia até ser um mantra. Mas, cuidado com o excesso de repetição, podemos crer tanto nisso que corremos o risco de nos tornarmos um ser “se acha “ insuportável. Ninguém é nada, todo mundo é. Essa busca  faz da vida uma coisa interessante. Você é bom, bonito e inteligente, mesmo que ainda esteja buscando as respostas e não tenha encontrado o seu lugar no mundo. Não precisa se preocupar, você com certeza está entre os cem por cento daquela outra pesquisa que revela  não quem é belo ou se preocupa com isso, mas  quem é gente.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Encontramos pelo caminho

Caminhar pode ser um delícia, mesmo quando você tem que ir, por exemplo, do estacionamento que fica a quase um quilômetro do seu local de trabalho, sob um sol escaldante dessa Brasília que tem uma coisa meio desértica do frio de manhã, sol escaldante ao meio-dia e frio novamente à noite. O meu caminho, às vezes, me leva a um espaço refrigerado....Oásis. Claro que essa é só a primeira impressão porque, de vez em quando, vira mesmo um campo de batalha, só faltam as espadas, explosivos ou o que quer que sua imaginação cinematográfica permita. Trabalho em equipe também está sujeito a chuvas, trovoadas e momentos vindos diretamente da tela de cinema. Mesmo que a guerra fique só no imaginário e o máximo que possa ser jogado é uma bolinha de papel. Mas, esquecendo tudo aquilo que pode transformar o nosso oásis cotidiano em um andar em brasas, sem estar preparado espiritualmente, caminhar é um delícia, quando encontramos coisas que mostram que a a vida é realmente além . Ontem, por exemplo, encontrei um senhor plantando um pequeno jardim com tanto cuidado, que parecia que era seu maior tesouro. Naquele momento, mesmo sem ar condicionado, o trabalho dele me pareceu o verdadeiro oásis. Fazer o que se gosta é a  diferença. Nosso oásis, não é sair do sol para o refrigerado, mas amar o que se faz e o que se escolheu como opção de vida. Isso reflete em todo o resto. O senhorzinho em seu pequeno jardim estava feliz. Deve ter contas para pagar, problemas em casa, uma vida igual, embora para alguns transeuntes, pareça tão desigual. Por um momento, aquele era o seu mundo e tudo estava perfeito nele. Tão perfeito que tinha até borboletas e passarinhos. Nessas horas, acho sempre que Deus  está enviando alguma mensagem. Essa, com certeza, foi recebida.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Uma amiga a procura de foco

Tenho uma amiga virtual que colocou um procura-se no facebook. No caso, o que ela buscava era o foco e perguntava se alguém sabia onde podia encontrá-lo. Claro que obteve uma enxurrada de respostas que iam de “ o meu está na esquina “ , passando por conselhos sobre meditação ou do tradicional “ ele está por ai”. Acho que tornou-se um dos dez mais procurados naquele dia e deve ter sido visto até comprando roupas em um shopping. Será que o foco é que nem criança, basta dar uma distraída que ele se perde entre cabides, brinquedos, espaços abertos? Onde deixamos o nosso? Onde perdemos o nosso? Será em uma loja de eletroeletrônicos ou em um Parque de Diversões? Será que é quando o primeiro pé que colocamos no chão, ao sair da cama, é o esquerdo? Numa livraria ou naquele momento em que cruzamos o olhar com o outro e somos como que fulminados? Essa busca pelo foco fez vir à tona a imagem meio embaçada em que nos tornamos quando estamos perdidos, desconcentrados ou precisando de um ajuste. Talvez um pouco mais de cor, de enquadramento e até mesmo de mais volume para gritar. Quem sabe baste apenas aquele olhar ' coisa boa' que acontece quando fixamos um ponto qualquer, que nem sabemos o que é, mas que nos coloca ausente deste mundo por segundos, minutos, uma eternidade. Será que precisamos mesmo encontrar nosso foco ou continuar procurando, de uma forma inconsciente, mas acreditando que estamos com ele na alegria e na tristeza,na saúde e na doença, nesse comprometimento que temos com a vida desde que nascemos e que é , por si só, uma união pra lá de estável? Quanto mais focada, talvez mais perdida... Que seja! Espero que essa amiga virtual tenha encontrado o que procura. No caso dela, pode estar na joaninha que adora e que se não traz foco, traz muita sorte!

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Trinta

Trinta anos. Acabei de receber um e-mail de uma amiga que está na contagem regressiva para essa idade, que marca o início de uma década, que representa para muitos, um rito de passagem para os “enta” que estão distantes, mas já se avizinham. Ela está em absoluta contagem regressiva para seu aniversário e tem o que comemorar porque a vida, como ela mesma gosta de dizer, é “mara”. Às vezes, nessa comemoração, enchemos a cara, perdemos a memória ( intencional ou não) , passamos o maior vexame, mas seguimos em frente. Falo isso, porque passei pelos trinta, como quem passa por um turbilhão, não tive nem tempo de pensar direito. Foi uma fase de perdas, encontros e recomeços. Alguns sempre me acharam sortuda por já ter filhos nessa idade. Sim, tenho sorte de ter os filhos maravilhosos que tenho, mas a maternidade não é um prêmio, é um processo de conquista para que esse amor seja recíproco. Reciprocidade nas relações é o que faz de mim uma sortuda. Sorte é você ser humano e conseguir ser singular em um mundo de iguais. Sorte é você ter colo e ombro e as pessoas saberem que podem contar com eles. Sorte é você ser “mãe” nas situações em que qualquer pessoa, que pertença ao seu mundo, precise dessa atitude. A maternidade pode vir ou não, pois não é ela quem vai definir que você é um ser humano completo. O ser humano completo leva uma vida inteira para ser construído e disso fazem parte algumas descobertas, como as de que, além do fundo do poço existe um buraco e de que somos capazes de construir escadas para sair dele, ou em algumas situações, ter cordas jogadas por alguma mão amiga.  É claro, que sempre saímos um pouco descabelados e machucados, mas, se não temos uma escova lançamos uma nova moda. E na falta de um curativo, água e sabão. Confesso que os trinta anos mudaram para sempre o “eu” que sou. Mudanças que prosseguem. É uma opção enxergar as possibilidades ou transformá-las em uma sombra. Os trinta da minha amiga estão chegando,  só posso desejar  que abra a porta sem medo, para  ter sempre o que celebrar até sair dos "inta", dos "enta" e chegar  finalmente aos cem.  É claro, sem deixar nunca de ser “mara” como ela é.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Trilha sonora

O poder que tem os sons e os cheiros...  São neles que residem a minha máquina do tempo. Em um segundo, estou sentada na grama com um grupo de amigos e tenho 8, 12, 13, 15 anos. Estou no primeiro amor, no primeiro beijo, na primeira desilusão. Estou na primeira lembrança..  Posso ter todas as idades, reviver todas as vezes de um sim e todas, de um não. Em um minuto, posso estar de novo em um aeroporto vendo alguém partir ou chegar.  Estou escrevendo cartas, lendo livros, abraçando amigos,ouvindo sonhos e projetando os meus.  Chorando copiosamente com o coração partido.  Me vejo no primeiro ano da escola ou no  maternal. Estou olhando o mar pela primeira vez, tão destemida. Revivo momentos  e estou neles inteira.  E os vexames? Do passado que condena, a gente não escapa. Cheiros e sons são também são o meu ponto de vista da realidade que me cerca. Se me remetem à infância, lembro  de como tudo era imenso ao meu redor, porque eu era um ser tão pequeno. Fui crescendo e as coisas diminuindo. Elas começaram a ficar do tamanho  da inquietude e insegurança que  estão no pacote chamado crescer. O "ser pequeno" tomou outra conotação. Ouço uma música, sinto um cheiro e  me lembro das coisas que ficaram e estão lá . Som mágico que traz tudo de volta... Tenho de novo todos aqueles que não podem estar mais aqui. A vida de todo ser humano tem uma trilha sonora  perfumada. A do futuro, ainda é uma incognita. A do presente está sendo escolhida  com as realizações e frustrações que fazem parte do outro pacote  chamado ser gente.  Nesse exato momento, a minha é Bach ( Air Suite Nr. 3 ).
 

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Quando a alma é tocada

Uma amiga minha escreveu em seu facebook “tive a alma tocada”. Confesso que achei muito lindo e fiquei imaginando em que momentos da vida isso acontece. O sentimento que tenho é de que se flutua, porque mesmo com todo o peso das coisas cotidianas ainda podemos ser leves. Em que percebemos que no mundo existem crianças e que elas precisam de nós; que o planeta está em crise e que podemos dar colo; que a natureza é  linda e podemos vê-la; que nem tudo é selva e se for, tem lá suas vantagens. Ter a alma tocada é sentir a presença de um anjo, da luz que nos protege, ou simplesmente do "eu" em que cremos. Por isso mesmo, acreditar que tudo nos move. É não se preocupar com o que pensam os outros, porque também pensamos sobre eles e, nesse momento, podemos sentir compaixão, perdão, amor. Ter a alma tocada é não ter vergonha de chorar vendo um filme, o noticiário, lendo um livro ou até mesmo, a bula de remédio. É viver todas as vidas em uma e não ter medo de recomeçar. Ter a alma tocada é sentir o que de mais humano existe em nós.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Primeira pessoa

Estava assistindo a  um desses inúmeros programas na televisão, quando  o entrevistado começou a falar de si mesmo na terceira pessoa. Pensei com os meus botões “outra alma perdida”. É sério, quando alguém começa a falar assim é um caso perdido, para não dizer um ser perdido entre a primeira e a terceira pessoa. Entre a fama e o anonimato. Quem sou eu? Quais os meu problemas? Os meus defeitos? São meus ou de um eu que é ele ou ela? Lembro de   uma amiga ter me chamado a atenção ( lição número mil) para o fato de  quando eu expressava uma opinião, às vezes, colocar o mundo na berlinda. Era um tal de “ nós seres humanos” para cá e para lá. Lógico que precisamos ser muitos e o coletivo cabe que é uma beleza.  Acredito que em alguns momentos eu também  precise de uma dose extra de autoestima para enfrentar determinadas situações. Nessas horas, o "se achar" não faz mal nenhum. Aprendi a me colocar no problema e a esquecer um pouco os outros que podiam ser até eu mesma. Aprendi a ser primeira pessoa absoluta de mim mesma, responsável pelos meus erros e meus acertos, consciente do livre arbítrio, das perdas e das vitórias. A consciência de ser um  eu que pode até machucar, mas que representa a essência  do que se é de verdade: primeira pessoa sempre.


domingo, 3 de abril de 2011

Metro e quadrado

Há muito tempo li  um livro de Ligya Fagundes Telles em que a personagem se  encontrava em seu metro quadrado.Em uma das passagens, ela era indagada sobre  as possibilidades do quarto deixar de ser dela, o perfume que  gostava não ter mais a essência preferida e sua torta predileta não ter mais o sabor da fruta predileta. Ela respondia dizendo que,em seu metro quadrado, as coisas sempre seriam suas, teriam o cheiro  e o gosto que adorava.  Quando li essa passagem confesso que valeu a livro, porque me fez refletir . Hoje lembrei desse trecho e percebi como esquecemos nossos sonhos para viver em quadrados. Cada um no seu. Claro que queremos nosso espaço respeitado, queremos respirar. Mas, tem muita diferença em você ter um metro quadrado, onde a vida é sua e do jeito que você quer e se viver em um quadrado de divisão, competição, de isolamento e até mesmo solidão. Sim, porque quando não nos permitimos pequenos passos para invadir o que pensamos ser do outro, também não nos permitimos arriscar, conquistar, amar. No meu metro quadrado  cabem os sonhos e as coisas são do meu jeito, no quadrado, às vezes, levanto muros  preocupada em protegê-lo do inimigo que pode ser o outro ou eu mesma, dependendo do momento. O quadrado é egoísta, o  meu metro é altruísta. Ter um mundo seu e compartilhar um mundo faz muita diferença, embora sejam iguais. Hoje lembrei do metro quadrado e esqueci do quadrado. Efeito consciência que torna todas as coisas uma, independente do tempo que durem.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Gavetas

Aprendi o valor que têm os pequenos gestos: olhares, sorrisos, apertos de mão, abraços... Sempre associados  às  pessoas que são nossas escolhas.  Essas pessoas são responsáveis por manter vazia aquela gaveta que carrego dentro de mim com os enormes dizeres “coisas ruins”,  que  fica bem abaixo de outras como  a “esperança”, a "fé" e a "alegria"  e que formam um conjunto da chamada “coisas boas". Recentemente tive um super aborrecimento. Claro que não surtei, não esmurrei paredes nem sai batendo nos outros.  Até porque, não diferente de muitos, costumo ou ser de uma sinceridade assustadora ou  colocar tudo  na gaveta  que traz a etiqueta “ coisas ruins “. Nesses momentos,  ela trava, não quer abrir, não permite que a esvazie. Empurro, quebro a unha, às vezes xingo. Atitude típicas de  um dia “coisas ruins”.  Graças a Deus, essa gaveta não tem fundo falso, ao contrário da que carrega “coisas boas” e que vai ficando abarrotada até que  não consiga  ser fechada. Mas, o sentimento é outro. A única coisa que a gente quer fazer com a "coisas boas"  é dividir para esvaziar. Descobri, com as  pessoas que amo, que se não consigo abrir  minha gaveta “coisas ruins” para esvaziá-la, eles se encarregam de fazê-lo. Esses  sentimentos tão negativos  vão sendo então processados, reciclados e se transformam em lições, degraus, atitudes mais positivas perante o mundo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Olhar para frente

Houve uma época em que eu tinha mania de andar olhando para o chão, só que não percebia.  Até que um dia, alguém me  perguntou o que tanto procurava . Não soube responder. Então ouvi  um sonoro: "olha prá frente!". A partir desse momento, confesso que comecei a me policiar e a evitar esse tipo de olhar que, com certa relutância tive de admitir, não me acrescentava nada, embora pudesse até me ajudar a evitar alguns tropeços. Percebi que o olhar para frente, me levava a olhar para os lados, para cima e até mesmo para trás. Embora não saiba precisar se aprender os olhares aconteceu ao mesmo tempo ou aos poucos, o certo é que percebi que o olhar que temos na nossa trajetória é aquele que  define  o que nos tornamos, mesmo quando existem lágrimas. Aprendi que a vida retribui da maneira como a olho. O olhar para frente me levou ao olho no olho com a minha existência. Tirar os olhos do chão representou  um confronto comigo mesma e com tudo que está ao redor ou esteve antes. Olhar a vida  de frente  me permite não temê-la e perceber que o  destino, mais que um desafio desconhecido, pode ser um aliado. E esse sentir é muito bom!

terça-feira, 1 de março de 2011

Vida roda gigante

Estava pensando nesse mundo louco que vivemos com sua correria e competitividade. Minha pretensão é a mesma que a sua: ter êxito fazendo o que gosto e sendo o que sou.  Creio que para sobreviver é necessária uma dose extra de autoestima e amor próprio. Ser o número um da sua existência. Tem pessoas que comparam a vida a um trem, outras a um céu estrelado ou a uma estrada sem fim, até mesmo a um rio. Para mim, a vida é como um parque de diversão e depende muito do brinquedo que você quer encarar. Você quer enfrentar seus medos sem fechar os olhos?  Trem fantasma. Viver no sobe e desce e nas quedas repentinas? Sem dúvida, a montanha russa.  Ter a consciência de que um dia você  está no alto, outro  no meio e outro lá embaixo? Roda gigante. Ela é dos meus brinquedos preferidos porque também representa a vida como ela é: um  subir devagar, um momento de parada. Uma hora no alto, outra lá embaixo.  Acompanhada de alguém ou apenas de seu amor próprio, a decisão é sua ao decidir embarcar. Nesse momento particular da minha vida estou naquela paradinha, em que tenho uma vista panorâmica do mundo ao meu redor.  De todos os momentos que me fizeram chegar até aqui. Naquela paradinha, em que alguém vai entrar ou descer, mas você está ali balançando as pernas ou  extremamente irritado por demorar tanto a rodar de novo. Talvez, querendo o alto e desejando que a roda  permaneça ali. A roda gigante é a vida que a gente leva. Profissional ou familiar. A consciência de que ela gira e que o momento passa, que o êxito pode durar uma eternidade ou um instante fugaz, faz a diferença. Nesse momento, estou balançando as pernas esperando paciente que ela faça a sua volta. Me permitindo ser feliz e agradecida por estar aqui.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Aos amigos que nos mantêm como somos

O tempo passa e procuro me manter como sou. Melhor em algumas questões, em outras, nem tanto. Eu mesma. E a minha fórmula é simples: amigos, amigos, amigos. De todas as idades, credos, profissões. Com todos os temperamentos e  histórias de vida. Zangado, irônico, fútil, profundo, intelectual, sabe tudo, frustrado, conquistador e, às vezes, tão chato que é alvo da campanha  "abandone esse amigo". O que não faço, é claro. Feliz, realizado, amigo dos amigos, simpático, querido, festeiro, viajante, o que abre as portas e o que sabe ouvir. Amigos. Fórmula simples, que nos permite ser, nos momentos em que também nos enquadramos em qualquer  das categorias anteriores. Às vezes, me fazem chorar, em outras, enxugam as lágrimas. Não são grupos, não andam em bando, não  se alinham pela idade. Também têm seus amigos.  Estão cada um em seu  canto, perdidos em algum lugar do mundo.  Se estou na comédia, estão no drama. Se estou na infância, estão na maturidade. Se estou reflexiva, estão em meio a multidão. Amigos.  Estão na família (as duas) que escolhemos direta ou indiretamente, porque a amizade e o amor  são conquistas. Sou o que sou,  porque me permito e me permitem ser. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Para Gabi

Para todas as pessoas que cresceram juntas, em algum momento, e são companheiras de viagem.  Que são pais, filhos ou apenas amigos. Que enfrentam destemidos a aventura de viver. Para Bernardo e Gabriela, razões do meu existir. Em especial para Gabi, porque é seu aniversário .


Daqui a alguns dias, Gabi faz 22 anos. Como o tempo passa rápido filha, ele corre e por isso a gente tem que aproveitá-lo ao máximo. Tenho o privilégio de ter você em minha vida. Aliás, de ter você e seu irmão, verdadeiros presentes. Ter você na vida é privilégio para poucos, porque você é desse tipo de pessoa que se leva para sempre. Que se conquista uma vez e que não se pode perder. Como todo mundo é feita de altos e baixos, sorrisos e lágrimas, mau humor e alegria. Acima de tudo, é especial porque sabe ajudar o outro a crescer e a se tornar mais gente sem exigir nada em troca. Não faz da amizade uma competição, mas uma lição. Você me ajuda, desde que nasceu, a ser melhor e mais humana. Me ensina muitas coisas. Filha, aos 22  anos , você é uma mulher que já aprendeu que viver não é nada fácil, que as pedras nos caminho são muitas e que, às vezes, elas estão onde menos se espera. Mas, é justamente o inesperado, que faz vir a tona essa mania que temos de lutar, que nos torna mais fortes. Seja sempre especial, luz, companheira, guia de viagem das melhores. No roteiro dessa sua vida, a escritora é você. Aproveite o livre arbítrio e escolha sempre o que for melhor. Colha amigos verdadeiros e os leve em seu coração. Ame muito e se deixe amar. Chore, se descabele. Surtar de vez em quando faz parte dessa louca existência .Supere as crises sempre com dignidade e respeito ao outro. Perdoe. Tenha fé, porque Deus existe, e você é prova disso. Não faça do limão uma limonada, mas um doce daqueles que só um grande chef pode criar. Você é rara, única. Gabi 22, cara de 15, alma de quem já viveu muito e um coração para todas as idades . Às vezes uma menininha, outras uma anciã de tanta sabedoria. A  maior das aventuras ainda está por vir. Eu estarei sempre por aqui torcendo e acreditando que você não vai desistir e seguirá sempre em frente, destemida e determinada. Quando você nasceu li uma frase que dizia: “vai bebê que esse mundo é todo seu”. Te amo  e esse mundo é mesmo todo seu.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Amar

Engraçado  o tema amor. Sempre polêmico. Recentemente  assisti ao documentário “José e Pilar”, do diretor português Miguel Gonçalves Mendes, sobre o escritor José Saramago e sua segunda mulher, Pilar del Rio. Ouvi várias opiniões. Particularmente achei lindo, sobre sentimentos e palavras. Para refletir sobre o que nos propomos nesta vida, nossa agenda cotidiana e cheia de compromissos, da necessidade de se compartilhar e, às vezes, emprestar, só emprestar, as rédeas de nossa vida para outra pessoa.  Ser casal. Não precisa ser um escritor famoso, morar numa ilha na Espanha. Pode ser o verdureiro, o arquiteto, o jornalista e, até mesmo, quem prefere mesmo é cuidar da casa. É necessário ser gente, isso é essencial. Ser gente nos permite essa reflexão sobre o amor que nos move ao encontro um dos outros e aos desencontros também. Quantas vezes nos apaixonamos nesta vida? Quantas vezes a adrenalina corre  e o coração bate forte? Em que momento a  paixão vira amor? Quando o amor vira amor? Quando o amor vira desamor? Perguntas constantes em minha vida. Todo mundo torce para que só  a morte separe, que se esteja junto na doença etc...  Mas, quando menos se espera, um imprevisto pode abalar as estruturas. “Pilar, minha casa”, “Pilar, meu Pilar”. Alguns resistem, lutam e não desistem. Sobrevivem.  Piegas?  Para mim, não. Imagino que a casa  dos dois  deva ter estremecido algumas vezes e as estruturas balançado bastante.  Coisas de conviver e que ficam guardadas entre quatro paredes.  O que vale no fim é o que fica, seja de uma  música, livro, filme, realidade ou  ficção. Quem dera a vida tivesse sempre  uma trilha linda. Quem dera o “felizes para sempre”  não fosse, para muitos, um instante em uma fotografia. Acredito que a gente tenha que se permitir sempre amar. Isso vale para quem é, quem foi e quem será amado. Dessa experiência, ninguém escapa. Me perdoem os críticos desse amor amado. Não precisa ser José, nem Pilar. É preciso ser intenso para ser além.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Onde me vejo

Há alguns anos, fiz  um desses cursos em que tentamos nos conhecer um pouco mais. Acredito que nem nós mesmos nos conhecemos profundamente. Também não nos conhece o companheiro, o terapeuta, o confessor, o guru, a mãe, o pai, o filho, o irmão ou o amigo. Na minha opinião, quem nos conhece de verdade é o nosso travesseiro, que sabe todos os nossos segredos, até aqueles que escondemos de nós mesmos, e que recolheu muitas de nossas lágrimas, de tristeza ou alegria. E o que é melhor, mesmo que brigue conosco, não vai nunca abrir a boca. Mas, sem o meu travesseiro, lá fui eu tentar descobrir o que eu era e acabei mesmo foi descobrindo o outro. Muito do que sou, vejo no outro. Muito do que digo, falo para o outro. Não me refiro ao outro que amamos ou  àquele que habita em nós, esse desconhecido que também fui procurar e que encontro aos poucos, dia após dia. Mas sim aquele outro, o outro-outro, que está ao nosso lado e percebemos ou ignoramos. Aquele com quem nos irritamos e, às vezes, chegamos a odiar. Estamos irritados ou odiando ao outro ou a nós mesmos? Aquele outro, que tem a mesma grama que a da nossa casa, mas que sem medo do lugar comum, tendemos a achar  sempre que é mais verde? Será que é influência da qualidade da água, do amor, das conquistas ou apenas do olhar que temos? Somos nós e somos eles. Me permitir me ver no outro é sempre a melhor parte. Aprendi a me ver no outro, com qualidades e defeitos, com a grama seca ou verde, com tempo bom ou ruim. Mais do que isso, me permiti  esse olhar. Uma boa lição. Todos os dias, tento exercitá-la um pouco, o que não faz de mim um ser humano melhor, mas que me ajuda a tentar ser. E quanto ao meu travesseiro? Coadjuvante ou protagonista, todos os dias ele também vai estar sempre lá.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Questão de vida

Uma amiga minha, mais do que querida, está em plena adolescência, embora tenhamos (ou quase) a mesma idade. Explico: um dia ela dormiu saudável e amanheceu doente. Uma doença chamada leucemia. Questão de morte? Não, de vida. Ela lutou algumas batalhas e venceu uma guerra inteira. Fé. Ela não adoeceu, para mim ela simplesmente “adolesceu”. Chance rara de perceber que se vivem várias vidas em uma e que estamos sempre recomeçando. Uma história a ser contada. Na semana passada, recebi uma notícia que deixou meu coração menor e me encheu de tristeza. Outra amiga, embora tenha travado várias batalhas, não conseguiu vencer uma guerra. Ela faleceu vítima de um câncer e se foi simplesmente. Questão de morte? Não, de vida. Porque vida é luta, mesmo quando se perde a guerra. Vejo a tragédia no Rio, na Austrália, no Haiti, as visíveis e invisíveis. As que podemos tocar e as intocáveis. Vejo, sobretudo, nossas tragédias pessoais, pequenas, grandes, significantes ou não. Vejo as pessoas “adolescendo " ou partindo. Tendo novas chances ou encerrando um ciclo. Sobrevivemos e isso é uma questão de vida. Viver é ir além do que nos permitimos. É não desistir de lutar, mesmo quando a sensação é de perda . Todos os dias temos uma segunda chance, às vezes, nem percebemos que estamos respirando.  Eu conheço muita gente que está morta e finge estar viva. Anda por aí que nem zumbi. Perdeu o brilho por não perceber a importância de se estar neste mundo de primeiras, segundas e últimas chances. Minha amiga adolescente vai soprar muitas velas e virar adulta, muito depois que eu já estiver  bem velhinha. Vida absoluta! Minha amiga que partiu, com seu jeito de falar sorrindo, também será sempre vida absoluta,como parte do que sou, do que faço, do sentimento de que existo, o que envolve  não só crescimento, mas  sofrimento. Acredito que não estamos neste mundo a passeio. Guerras vencidas ou perdidas, nelas estão sempre  a mesma questão: vida. E isso é se permitir.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Arriscar-se

Estava aqui pensando em mudanças, começos e recomeços. Há algum tempo li o livro “Comer, Rezar e Amar”, de Elizabeth Gilbert. Vi o filme também. Mas, nada é melhor do que manusear um livro, hábito quase esquecido na estante nos dias de hoje e que adoro. Com a leitura desse livro descobri que todo mundo tem, ou pelo menos deveria ter ,uma palavra. E descobri a minha : arriscar-se. A gente já começa nesse planeta se arriscando, ou seja, nascendo. Tem coisa mais arriscada do que enfrentar o mundo, depois do quentinho do ventre materno? Depois iniciamos nosso processo de crescimento. Com ele toda expectativa: os primeiros passos, tombos, escola, puxões de cabelo e beliscões, que às vezes, vêm de brinde com os primeiros coleguinhas, ou mesmo, com o irmãozinho, irmãzinha. Enfim, arriscamos e percebemos que começar a viver , às vezes, é doloroso, mesmo assim, seguimos em frente, nos arriscando diante do desconhecido. Porque viver também pode ser prazeroso. E o que mais ouvimos nessa fase da vida? Não! Estamos o tempo todo a nos arriscar, a testar nossos limites e a paciência dos pais. E vamos crescendo e descobrindo as coisas que existem : as positivas e negativas. Descobrimos que o amor existe, a amizade, a solidariedade, a superação e até mesmo, o perdão. Descobrimos outros sentimentos como o ciúme, a inveja, a ira. Enfim, Que os pecados capitais estão todos no cotidiano, mas quem disse que a redenção também não está? Alguns descobrem Deus, outros ainda O procuram, tem quem nem se dê ao trabalho e outros preferem mesmo é abraçar uma árvore. Que seja. Arriscar-se é a minha palavra predileta. Nem sempre sinônimo de coragem, às vezes, até de uma certa covardia e medo. Nessas horas, somos impulsionados por uma força, que pode até ser  a estranha da música, mas  que, certamente, nos leva a algum lugar. Ao crescer, nos arriscamos no trabalho, nas tarefas do dia a dia. Aprendemos a ouvir não com a sensação de déjà vu e, mesmo assim, arriscamos porque queremos que nos seja permitido. Neste ano que começa, desejo a você que se arrisque. Que transforme sonhos em realidade, que supere a negativa protetora ou desafiadora. Isso não quer dizer pular de um penhasco ( a não ser que você seja adepto de esportes radicais). Talvez seja necessário, apenas escalá-lo. Permita-se. Se você quiser, eu te empresto minha palavra.

Obs: Reparou quantos "não" a gente diz e escreve?