terça-feira, 28 de junho de 2011

O que nos acompanha

Às vezes sinto saudade da minha adolescência, de todas as expectativas, sonhos e do desconhecido que estavam por vir. Outras vezes, sinto saudades da minha infância, da perspectiva que tinha do mundo, tão gigante ao meu redor e tão cor-de-rosa. De repente cresci e o que era desconhecido e gigante passou a ser companheiro e a ter um nome: destino. Ele nos faz companhia sempre, mais até do que aquele amigo/a chiclete com quem andamos grudados determinadas fases de nossa vida e que muda de cara, a medida que mudamos de idade. Ele está junto quando optamos por um caminho, ao invés de outro. Está ali, ao lado da família, que nos acompanha até um determinado ponto e depois nos deixa seguir. Tem gente que se habitua a ter alguém com quem partilhar o café da manhã, o almoço ou o jantar; com quem ir ao cinema, ao teatro, aos shows ou a padaria.... Nessa minha trajetória ao momento presente descobri que por mais que perca estou sempre ganhando e que, por mais que me sinta só, nunca estou. Se a solidão é companheira, não estou só; se o destino é companheiro, não estou só; se a vida é companheira, nunca estou só, estou viva. Viver implica em sofrer, conquistar, crescer, não necessariamente nessa ordem. Dar nome as coisas, as pessoas, aos sentimentos, fazer deles companheiros de estrada, pode ajudar a superar perdas, a que a saudade seja só saudade, a superar o estar só e a dar ao destino um sobrenome.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sobre simpatias e amor

Passou o dia dos Namorados, o de Santo Antonio também…. Aquelas datas que para alguns são um verdadeiro  suplicio ou, no popular, corta pulsos mesmo. Falta o amor, falta o casamenteiro, falta mais do que tudo, o enamorar-se de si mesmo. Falta a música erudita, o jazz, a MPB e o qualquer forma de amar. Faltam as flores, os bilhetes, os chocolates... Não adianta simpatia, santo de cabeça para baixo, dentro da água,  de castigo, quando se falta fé. Não adianta entrar em fila de milagres quando não se vê o milagre que se é. Mais do que acreditar em Deus é necessário a crença em si. A solidão é física, emocional e astral. Afinal de contas, nesses momentos, parece que o universo conspira contra. A gente precisa dar um empurrãozinho para o destino e começar a abrir portas para que o coração também se abra. Começar por si para chegar ao outro.  É um começo e pode dar certo.  

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O sucesso chegou?

Como saber se o sucesso chegou? Olhar para trás e descobrir o que se construiu, talvez seja  um começo . "Olhe para trás" foi o conselho de alguém para um amigo em dúvida  sobre em que ponto  ele se encontra na trajetória profissional e existencial. Conheço várias pessoas bem sucedidas e que,  por uma dessas cegueiras instântaneas ou permanentes, não se enxergam no lugar em que estão. Na realidade,quando olham para trás, são sempre aquela criança vítima de bullyng (quando nem se sabia que isso existia), desprezada, nunca o primeiro da fila, nem na chamada. São sempre aquele adolescente espinhento, apaixonado e não correspondido,  que sofria por boas notas. Estão de óculos, cabelos encaracolados, quando os queriam lisos, ou lisos quando os queriam encaracolados. Desejando a vida do outro, sem saber que o outro, também desejava a sua. Têm muito e se percebem pouco. O sucesso não se mede na conta bancária, no tamanho da casa, no avião particular ... O sucesso se constrói com um olhar para trás das conquistas e com um olhar de conquista pelo que estar por vir. Talvez seja um misto de otimismo e esperança. Talento para se ter sucesso é extrair de todos os momentos menos, o que  existe de mais e dessa forma, seguir em frente. Por isso a vida é feita de altos e baixos, às vezes mais de uns que de outros, talvez seja por isso que ela, sim, seja o verdadeiro sucesso.