sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Aos amigos que nos mantêm como somos

O tempo passa e procuro me manter como sou. Melhor em algumas questões, em outras, nem tanto. Eu mesma. E a minha fórmula é simples: amigos, amigos, amigos. De todas as idades, credos, profissões. Com todos os temperamentos e  histórias de vida. Zangado, irônico, fútil, profundo, intelectual, sabe tudo, frustrado, conquistador e, às vezes, tão chato que é alvo da campanha  "abandone esse amigo". O que não faço, é claro. Feliz, realizado, amigo dos amigos, simpático, querido, festeiro, viajante, o que abre as portas e o que sabe ouvir. Amigos. Fórmula simples, que nos permite ser, nos momentos em que também nos enquadramos em qualquer  das categorias anteriores. Às vezes, me fazem chorar, em outras, enxugam as lágrimas. Não são grupos, não andam em bando, não  se alinham pela idade. Também têm seus amigos.  Estão cada um em seu  canto, perdidos em algum lugar do mundo.  Se estou na comédia, estão no drama. Se estou na infância, estão na maturidade. Se estou reflexiva, estão em meio a multidão. Amigos.  Estão na família (as duas) que escolhemos direta ou indiretamente, porque a amizade e o amor  são conquistas. Sou o que sou,  porque me permito e me permitem ser. 

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Para Gabi

Para todas as pessoas que cresceram juntas, em algum momento, e são companheiras de viagem.  Que são pais, filhos ou apenas amigos. Que enfrentam destemidos a aventura de viver. Para Bernardo e Gabriela, razões do meu existir. Em especial para Gabi, porque é seu aniversário .


Daqui a alguns dias, Gabi faz 22 anos. Como o tempo passa rápido filha, ele corre e por isso a gente tem que aproveitá-lo ao máximo. Tenho o privilégio de ter você em minha vida. Aliás, de ter você e seu irmão, verdadeiros presentes. Ter você na vida é privilégio para poucos, porque você é desse tipo de pessoa que se leva para sempre. Que se conquista uma vez e que não se pode perder. Como todo mundo é feita de altos e baixos, sorrisos e lágrimas, mau humor e alegria. Acima de tudo, é especial porque sabe ajudar o outro a crescer e a se tornar mais gente sem exigir nada em troca. Não faz da amizade uma competição, mas uma lição. Você me ajuda, desde que nasceu, a ser melhor e mais humana. Me ensina muitas coisas. Filha, aos 22  anos , você é uma mulher que já aprendeu que viver não é nada fácil, que as pedras nos caminho são muitas e que, às vezes, elas estão onde menos se espera. Mas, é justamente o inesperado, que faz vir a tona essa mania que temos de lutar, que nos torna mais fortes. Seja sempre especial, luz, companheira, guia de viagem das melhores. No roteiro dessa sua vida, a escritora é você. Aproveite o livre arbítrio e escolha sempre o que for melhor. Colha amigos verdadeiros e os leve em seu coração. Ame muito e se deixe amar. Chore, se descabele. Surtar de vez em quando faz parte dessa louca existência .Supere as crises sempre com dignidade e respeito ao outro. Perdoe. Tenha fé, porque Deus existe, e você é prova disso. Não faça do limão uma limonada, mas um doce daqueles que só um grande chef pode criar. Você é rara, única. Gabi 22, cara de 15, alma de quem já viveu muito e um coração para todas as idades . Às vezes uma menininha, outras uma anciã de tanta sabedoria. A  maior das aventuras ainda está por vir. Eu estarei sempre por aqui torcendo e acreditando que você não vai desistir e seguirá sempre em frente, destemida e determinada. Quando você nasceu li uma frase que dizia: “vai bebê que esse mundo é todo seu”. Te amo  e esse mundo é mesmo todo seu.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Amar

Engraçado  o tema amor. Sempre polêmico. Recentemente  assisti ao documentário “José e Pilar”, do diretor português Miguel Gonçalves Mendes, sobre o escritor José Saramago e sua segunda mulher, Pilar del Rio. Ouvi várias opiniões. Particularmente achei lindo, sobre sentimentos e palavras. Para refletir sobre o que nos propomos nesta vida, nossa agenda cotidiana e cheia de compromissos, da necessidade de se compartilhar e, às vezes, emprestar, só emprestar, as rédeas de nossa vida para outra pessoa.  Ser casal. Não precisa ser um escritor famoso, morar numa ilha na Espanha. Pode ser o verdureiro, o arquiteto, o jornalista e, até mesmo, quem prefere mesmo é cuidar da casa. É necessário ser gente, isso é essencial. Ser gente nos permite essa reflexão sobre o amor que nos move ao encontro um dos outros e aos desencontros também. Quantas vezes nos apaixonamos nesta vida? Quantas vezes a adrenalina corre  e o coração bate forte? Em que momento a  paixão vira amor? Quando o amor vira amor? Quando o amor vira desamor? Perguntas constantes em minha vida. Todo mundo torce para que só  a morte separe, que se esteja junto na doença etc...  Mas, quando menos se espera, um imprevisto pode abalar as estruturas. “Pilar, minha casa”, “Pilar, meu Pilar”. Alguns resistem, lutam e não desistem. Sobrevivem.  Piegas?  Para mim, não. Imagino que a casa  dos dois  deva ter estremecido algumas vezes e as estruturas balançado bastante.  Coisas de conviver e que ficam guardadas entre quatro paredes.  O que vale no fim é o que fica, seja de uma  música, livro, filme, realidade ou  ficção. Quem dera a vida tivesse sempre  uma trilha linda. Quem dera o “felizes para sempre”  não fosse, para muitos, um instante em uma fotografia. Acredito que a gente tenha que se permitir sempre amar. Isso vale para quem é, quem foi e quem será amado. Dessa experiência, ninguém escapa. Me perdoem os críticos desse amor amado. Não precisa ser José, nem Pilar. É preciso ser intenso para ser além.