domingo, 3 de abril de 2011

Metro e quadrado

Há muito tempo li  um livro de Ligya Fagundes Telles em que a personagem se  encontrava em seu metro quadrado.Em uma das passagens, ela era indagada sobre  as possibilidades do quarto deixar de ser dela, o perfume que  gostava não ter mais a essência preferida e sua torta predileta não ter mais o sabor da fruta predileta. Ela respondia dizendo que,em seu metro quadrado, as coisas sempre seriam suas, teriam o cheiro  e o gosto que adorava.  Quando li essa passagem confesso que valeu a livro, porque me fez refletir . Hoje lembrei desse trecho e percebi como esquecemos nossos sonhos para viver em quadrados. Cada um no seu. Claro que queremos nosso espaço respeitado, queremos respirar. Mas, tem muita diferença em você ter um metro quadrado, onde a vida é sua e do jeito que você quer e se viver em um quadrado de divisão, competição, de isolamento e até mesmo solidão. Sim, porque quando não nos permitimos pequenos passos para invadir o que pensamos ser do outro, também não nos permitimos arriscar, conquistar, amar. No meu metro quadrado  cabem os sonhos e as coisas são do meu jeito, no quadrado, às vezes, levanto muros  preocupada em protegê-lo do inimigo que pode ser o outro ou eu mesma, dependendo do momento. O quadrado é egoísta, o  meu metro é altruísta. Ter um mundo seu e compartilhar um mundo faz muita diferença, embora sejam iguais. Hoje lembrei do metro quadrado e esqueci do quadrado. Efeito consciência que torna todas as coisas uma, independente do tempo que durem.

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