terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Questão de vida

Uma amiga minha, mais do que querida, está em plena adolescência, embora tenhamos (ou quase) a mesma idade. Explico: um dia ela dormiu saudável e amanheceu doente. Uma doença chamada leucemia. Questão de morte? Não, de vida. Ela lutou algumas batalhas e venceu uma guerra inteira. Fé. Ela não adoeceu, para mim ela simplesmente “adolesceu”. Chance rara de perceber que se vivem várias vidas em uma e que estamos sempre recomeçando. Uma história a ser contada. Na semana passada, recebi uma notícia que deixou meu coração menor e me encheu de tristeza. Outra amiga, embora tenha travado várias batalhas, não conseguiu vencer uma guerra. Ela faleceu vítima de um câncer e se foi simplesmente. Questão de morte? Não, de vida. Porque vida é luta, mesmo quando se perde a guerra. Vejo a tragédia no Rio, na Austrália, no Haiti, as visíveis e invisíveis. As que podemos tocar e as intocáveis. Vejo, sobretudo, nossas tragédias pessoais, pequenas, grandes, significantes ou não. Vejo as pessoas “adolescendo " ou partindo. Tendo novas chances ou encerrando um ciclo. Sobrevivemos e isso é uma questão de vida. Viver é ir além do que nos permitimos. É não desistir de lutar, mesmo quando a sensação é de perda . Todos os dias temos uma segunda chance, às vezes, nem percebemos que estamos respirando.  Eu conheço muita gente que está morta e finge estar viva. Anda por aí que nem zumbi. Perdeu o brilho por não perceber a importância de se estar neste mundo de primeiras, segundas e últimas chances. Minha amiga adolescente vai soprar muitas velas e virar adulta, muito depois que eu já estiver  bem velhinha. Vida absoluta! Minha amiga que partiu, com seu jeito de falar sorrindo, também será sempre vida absoluta,como parte do que sou, do que faço, do sentimento de que existo, o que envolve  não só crescimento, mas  sofrimento. Acredito que não estamos neste mundo a passeio. Guerras vencidas ou perdidas, nelas estão sempre  a mesma questão: vida. E isso é se permitir.

Um comentário:

  1. nossa, aninha. que lindo!!! me emocionei.
    tive uma 2ª chance de descobrir q eu consigo respirar e de q eu tenho uma vida maravilhosa. voltei hoje do haiti e estou em fase de balanço total das minhas convicções e sonhos. chega de reclamar, né?
    lindo o texto. amei!
    beijos

    ResponderExcluir