segunda-feira, 28 de março de 2011

Gavetas

Aprendi o valor que têm os pequenos gestos: olhares, sorrisos, apertos de mão, abraços... Sempre associados  às  pessoas que são nossas escolhas.  Essas pessoas são responsáveis por manter vazia aquela gaveta que carrego dentro de mim com os enormes dizeres “coisas ruins”,  que  fica bem abaixo de outras como  a “esperança”, a "fé" e a "alegria"  e que formam um conjunto da chamada “coisas boas". Recentemente tive um super aborrecimento. Claro que não surtei, não esmurrei paredes nem sai batendo nos outros.  Até porque, não diferente de muitos, costumo ou ser de uma sinceridade assustadora ou  colocar tudo  na gaveta  que traz a etiqueta “ coisas ruins “. Nesses momentos,  ela trava, não quer abrir, não permite que a esvazie. Empurro, quebro a unha, às vezes xingo. Atitude típicas de  um dia “coisas ruins”.  Graças a Deus, essa gaveta não tem fundo falso, ao contrário da que carrega “coisas boas” e que vai ficando abarrotada até que  não consiga  ser fechada. Mas, o sentimento é outro. A única coisa que a gente quer fazer com a "coisas boas"  é dividir para esvaziar. Descobri, com as  pessoas que amo, que se não consigo abrir  minha gaveta “coisas ruins” para esvaziá-la, eles se encarregam de fazê-lo. Esses  sentimentos tão negativos  vão sendo então processados, reciclados e se transformam em lições, degraus, atitudes mais positivas perante o mundo.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Olhar para frente

Houve uma época em que eu tinha mania de andar olhando para o chão, só que não percebia.  Até que um dia, alguém me  perguntou o que tanto procurava . Não soube responder. Então ouvi  um sonoro: "olha prá frente!". A partir desse momento, confesso que comecei a me policiar e a evitar esse tipo de olhar que, com certa relutância tive de admitir, não me acrescentava nada, embora pudesse até me ajudar a evitar alguns tropeços. Percebi que o olhar para frente, me levava a olhar para os lados, para cima e até mesmo para trás. Embora não saiba precisar se aprender os olhares aconteceu ao mesmo tempo ou aos poucos, o certo é que percebi que o olhar que temos na nossa trajetória é aquele que  define  o que nos tornamos, mesmo quando existem lágrimas. Aprendi que a vida retribui da maneira como a olho. O olhar para frente me levou ao olho no olho com a minha existência. Tirar os olhos do chão representou  um confronto comigo mesma e com tudo que está ao redor ou esteve antes. Olhar a vida  de frente  me permite não temê-la e perceber que o  destino, mais que um desafio desconhecido, pode ser um aliado. E esse sentir é muito bom!

terça-feira, 1 de março de 2011

Vida roda gigante

Estava pensando nesse mundo louco que vivemos com sua correria e competitividade. Minha pretensão é a mesma que a sua: ter êxito fazendo o que gosto e sendo o que sou.  Creio que para sobreviver é necessária uma dose extra de autoestima e amor próprio. Ser o número um da sua existência. Tem pessoas que comparam a vida a um trem, outras a um céu estrelado ou a uma estrada sem fim, até mesmo a um rio. Para mim, a vida é como um parque de diversão e depende muito do brinquedo que você quer encarar. Você quer enfrentar seus medos sem fechar os olhos?  Trem fantasma. Viver no sobe e desce e nas quedas repentinas? Sem dúvida, a montanha russa.  Ter a consciência de que um dia você  está no alto, outro  no meio e outro lá embaixo? Roda gigante. Ela é dos meus brinquedos preferidos porque também representa a vida como ela é: um  subir devagar, um momento de parada. Uma hora no alto, outra lá embaixo.  Acompanhada de alguém ou apenas de seu amor próprio, a decisão é sua ao decidir embarcar. Nesse momento particular da minha vida estou naquela paradinha, em que tenho uma vista panorâmica do mundo ao meu redor.  De todos os momentos que me fizeram chegar até aqui. Naquela paradinha, em que alguém vai entrar ou descer, mas você está ali balançando as pernas ou  extremamente irritado por demorar tanto a rodar de novo. Talvez, querendo o alto e desejando que a roda  permaneça ali. A roda gigante é a vida que a gente leva. Profissional ou familiar. A consciência de que ela gira e que o momento passa, que o êxito pode durar uma eternidade ou um instante fugaz, faz a diferença. Nesse momento, estou balançando as pernas esperando paciente que ela faça a sua volta. Me permitindo ser feliz e agradecida por estar aqui.