sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Perdas e achados

O pai de uma amiga  acaba de morrer. Dor imensa. E isso me remeteu  a todas as perdas que sofremos e do que elas nos fazem achar/encontrar. Foi na perda do meu pai, por exemplo, que achei o amor profundo que sentia por ele e que estava escondido em algum lugar. Foi enquanto  ele lutava contra um câncer, que eu descobri que o que eu acreditava serem defeitos eram  na realidade, as grandes qualidades. Um achado na minha perda. E ao longo de minha vida, assim como da sua ou de qualquer outra pessoa, a sucessão de perdas e achados são enormes. Não é um “achado e perdido” comum. Não é algo que se perde e se encontra com facilidade. Que alguém acha e devolve. Não existe uma sala ou um retorno pelo caminho para se encontrar. Não se pode olhar o chão, não é uma chave, mas é a chave. Não se recicla, mas, às vezes, é preciso revirar o lixo e mesmo assim, encontrar força para olhar para frente. Pelo menos, é assim que  penso. Muitas vezes, é algo que apenas está escondido sob a forma de raiva, impaciência, mágoa ou incompreensão. Sempre ganhamos algo nas nossas perdas. Às vezes, passamos a vida inteira tentando encontrar ou encontramos e nem percebemos. A fé é um dos maiores achados nas minhas perdas. É o que me move e me faz ter esperança. E esse é um achar que me permito não perder. E espero que esse achar esteja presente na vida dessa amiga querida.

“Eu parto com o ar – sacudo minha neve branca ao sol que foge
Desfaço minha carne em redemoinhos de espuma,
Entrego-me ao pó para crescer nas ervas que amo;
Se queres ver-me novamente, procura-me sob teus pés.
Dificilmente saberás quem sou ou o que significo;
Não obstante serei para ti boa saúde
E filtrarei e comporei teu sangue.
E se não conseguires encontrar-me, não desanimes;
O que não está numa parte esta noutra
Em algum lugar estarei a tua espera “
Walt Whitman

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