sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Para os dois

Quando era pequena  ela não atravessava a rua sozinha, nem mesmo para comprar uma revista na banca da quadra. Ele sempre foi mais destemido, não sei se porque chegou primeiro.  Em uma fase, ela  gostava de moda, ele  meio alternativo. Em outra,  ela com seus cabelos compridos  e ele com seus dreads. Ela adora carne, ele é vegetariano. Ela não faz questão de praticar esportes, ele tem essa mania de subir pedras. Ela é cidade, ele é natureza. Para ela, o não atravessar a rua, se transformou em um destemido atravessar o mundo.  Para ele, o ser destemido o levou a  escalar alto   a vida, apesar de todas as previsões de mau tempo. Criados iguais, totalmente diferentes, absolutamente amados. Meus filhos são assim opostos que se completam e iguais que se respeitam.  Não se preocupe se alguém que você conhece não atravessar a rua, um dia essa pessoa pode surpreender com uma travessia que vai muito além da coragem, a da independência. Não se preocupe com as quedas. Um dia elas podem se tornar uma escalada de desafios, um abrir de portas ou simplesmente virar horizonte.

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