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Para os dois

Quando era pequena  ela não atravessava a rua sozinha, nem mesmo para comprar uma revista na banca da quadra. Ele sempre foi mais destemido, não sei se porque chegou primeiro.  Em uma fase, ela  gostava de moda, ele  meio alternativo. Em outra,  ela com seus cabelos compridos  e ele com seus dreads. Ela adora carne, ele é vegetariano. Ela não faz questão de praticar esportes, ele tem essa mania de subir pedras. Ela é cidade, ele é natureza. Para ela, o não atravessar a rua, se transformou em um destemido atravessar o mundo.  Para ele, o ser destemido o levou a  escalar alto   a vida, apesar de todas as previsões de mau tempo. Criados iguais, totalmente diferentes, absolutamente amados. Meus filhos são assim opostos que se completam e iguais que se respeitam.  Não se preocupe se alguém que você conhece não atravessar a rua, um dia essa pessoa pode surpreender com uma travessia que vai muito além da coragem, a da indepen...

Milagres que são conquistas

De vez em quando precisamos de pequenos milagres em nossas vidas. Daqueles em que nossa participação é 99% e a de Deus 1%. Daqueles milagres que não são graças, mas conquistas.  Sim, porque estou convencida de que certas coisas que pedimos necessitam de muita fé e  bastante determinação;  de iluminação para  nossa realização. O que seria um milagre? A cura de uma doença ou a descoberta dessa cura? O trabalho que cai do céu ou  aquele que conquistamos? Subir escadas ou construir escadas? Dever ou agradecer? De vez em quando precisamos de  milagres conquistados e por isso devemos colocar a mão na massa.  Uma boa dose de atitude, suor e até lágrimas. O pensamento positivo é indispensável. Deus está sempre disponível, mesmo que ele seja árvore que se abraça, luz que se energiza ou até  cruz que se adora. Que o nosso milagre conquistado faça jus a essa graça.

Brasil e Alemanha

Queria mudar de canal . Quem me conhece sabe que sou apaixonada. Só que seis a zero é de chorar. ( depois fez sete). Pode ser que mude o placar ou não (Brasil fez um), mas .... Queria mudar de canal e então alguém disse "sou brasileiro e não desisto nunca!". E sou mesmo. Não importa o placar ou a colocação. Essa Copa agregou famílias e amigos, me fez feliz. Me fez sentir a energia de um estádio e a alegria incontestável desse nosso povo. Precisamos mudar muita coisa. Precisamos ser um país de iguais, de oportunidades iguais, de gente igual. E mostrar isso ao mundo . Continuo um país e  estou em  casa. Sou verde e amarelo e tenho orgulho disso. A cada quatro anos sou um país e  isso ninguém tira de mim! Me desculpe quem é do contra, mas como diria Drummond ainda nos idos de 82." Ora, os atletas! Ora, a sorte! A Copa do Mundo de 82 acabou para nós, mas o mundo não acabou. Nem o Brasil, com suas dores e bens. E há um lindo sol lá fora, o sol de nós todos. E agora amigos to...

Me torno um país

Confesso que sou uma negação no futebol. Não entendo nada. Mas, a cada quatro anos, por causa dele, me torno um país. Fico colorida de verde, amarelo, azul e o que é melhor, cheia de estrelas. Difícil não se contagiar pela energia de uma torcida única. Difícil não se emocionar com um hino cantado a capela. Essa ideia do único, em meio a tantas diferenças, se torna um objetivo porque nos mostra o que poderia ser. A felicidade é um direito por onde passam todas essas emoções como choro, angústia, frustração e  alegria. Alienação? Creio que não. De vez em quando, a gente precisa do circo para correr atrás do pão. Que me perdoem os críticos. A  cada quatro anos me transformo em um país e tenho muito orgulho disso.

A idade do afeto

Outro dia uma amiga minha, que não vejo há anos, me passou uma mensagem para me dar uma ótima notícia. Liguei na hora. Não nos falávamos há tempos, mas me pareceu que foi ontem. Para essas pessoas que estiveram comigo desde sempre ou pelo menos, desde que me lembro por gente, o tempo é do afeto. A relação do afeto é engraçada porque  não  tem rugas. Enxergamos o outro com a idade que não envelhece. Somos aquelas crianças ou jovens estacionados no momento. Estamos mais maduros, resolvidos. Os estudos deram lugar ao trabalho ou estão a ele associado. A vida ganhou outros protagonistas como filhos, maridos, ex  ou nenhum dos anteriores e simplesmente independência. O tempo do afeto faz com que o outro seja o amigo  inesquecível para sempre querido. Longe, mas sempre ao nosso lado.

Qualquer idade que se faz

- Não quero festa de oitenta anos. - Como assim ? Só se  faz oitenta anos uma vez na vida. -  Que eu saiba,  só se faz qualquer idade uma vez na vida. Avó e neta conversam sobre  festejar a longevidade. Eu me vejo pensando sobre essa  qualquer idade que se faz uma vez na vida. E recordo todas e as velinhas que soprei e aquelas que não e em como acho importante  se comemorar. Sim, porque esse pacote chamado vida com seus  percalços e conquistas estamos carregando agora e desembrulhando minuto a minuto. Comemorar sempre o início de outros 365 dias simplesmente porque estamos aqui . Sempre temos a idade uma vez, mas o peso dos anos, as responsabilidades, muitas vezes fazem com que achemos  que os dias se tornam iguais, quando não são. Eles também só passam uma vez. As horas, minutos e segundos  também são únicos. Talvez a gente deva aprender a duplicar a juventude e dividir a velhice. Carregar um tempo que não se  mede...

Mãe que vira gente

Filho é uma conquista diária. Ser mãe idem. Talvez, alguns discordem porque acreditam que o amor nasce pronto, como se estivesse disponível em prateleiras e com preços distintos e quanto menos, mais barato, uma pechincha. Acho que amor é conquista sim, um sentimento para ser cultivado e regado, para poder crescer e se consolidar. Ser mãe é para mim, um amor que de tão grande não precisa ser comprado, porque não tem preço. Ele vem grátis, porque faz parte do pacote. Filho chora, grita, esperneia. Filho cresce, sabe mais que você, aborrece. Filho vira adulto. Adulto?Sobrevivemos e com tudo isso, o amor só cresce, chora, esperneia e vira adulto junto. E nessa caminhada, desse amor que se conquista, às vezes, o filho vira pai, vira mãe ou simplesmente, vira aquilo que ensinou a mãe a ser: gente.