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Seu Zé e Carolina

Conversa de salão. A pessoa diz: "meu sogro sempre trabalhou e não gastou o dinheiro dele com nada. Um dia me disse, que a vida passou tão depressa que ele nem viu." Podia ser uma frase dessas positivas, mas nesse caso, não. A vida passou e Seu Zé , vamos chamá-lo assim, resolveu fazer um dueto com a Carolina do Chico Buarque, aquela que não viu o tempo passar. A vida e o tempo são siameses. Não ver que a vida passou é, de repente, não prestar atenção em si mesmo. A vida está ali porque quer também ser feliz e se abastecer de algo que não seja o trabalho, por mais que ele possa representar um outro tipo de felicidade e trazer outros tipos de compensações. O mais difícil  pode ser a conquista das pequenas coisas que nos trazem grandes prazeres. Parar para ver o sol, as árvores, as pessoas... Reparar no mundo que está ao nosso redor e que pode ser muito lindo. A  vida passou Seu Zé, mas não acabou. Se o senhor não está morto convida a Carolina para sair. Perceba que existe e f...

Encantamento

Dia desses uma pessoa procurava algo que tinha sido noticiado, mas não encontrava a tal notícia. Diante da impossibilidade de resgatar um fato que ele acreditava ter lido soltou a seguinte pérola: “sumiu, acho que acabou o encantamento”. Como? Sim a notícia sumiu, porque quando acaba o encantamento as realidades mais lindas ou mais duras simplesmente deixam de existir. Acabou o encantamento? Sim, mais o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa, o Príncipe , o Sapo, tudo em que a gente acreditou, estão por ai.  Não se pode esquecer nem  o Bicho Papao nem  o Lobo Mau. Eles adquiriram outros nomes e outras formas. Tudo que povoou um dia a nossa realidade encantada deixou de existir, porque o encantamento acabou. Ficamos sérios demais, crescemos... O encantamento por mais que insista em desaparecer dos nossos olhos continua por ai.. Contra todas as estatísticas do crescer, tem muita criança interior que carrega esse encanto como uma verdade tatuada. O mundo anda meio sem graç...

Acontecimento

Conversando com uma amiga sobre toda a dor que sentimos em determinados momentos da vida, quando achamos  que não vamos conseguir superar, chegamos a conclusão que tudo é um processo que se transforma em um acontecimento. É que, de repente, um belo dia a gente  acorda e,  como por mágica, tudo foi embora. Para chegar a esse momento é preciso, às vezes, muito sofrimento e chateação, muita cabeça cheia de pensamentos ridículos e de muito drama, que poderia ser vendido como uma história para alguma novela mexicana. A dor é um processo e,  quando  passa  num repente,se transforma em um acontecimento. Várias coisas  na vida  podem ser um  processo ou um acontecimento. São como  aquelas  nuvens negras no céu que começam a ser formar anunciando a chuva que de repente cai. Claro que cada um pode interpretar como quiser. Para mim, o processo é essencial para se chegar ao acontecimento. É preciso digerir toda dor  ou chateação, ou ...

Janelas

Tenho certeza absoluta que quando Deus fecha uma porta abre sim  janelas  por onde podemos ver o mar, o por-do-sol ou qualquer outra paisagem que seja uma necessidade imediata... As mudanças estão sempre em nossa vida e é inevitável abraçá-las por mais doloridas ou desconhecidas que sejam. É que nem sempre parecem ganhos ou somas. Às vezes, busca nossa e outras, do outro, que nessas horas não parece bem vindo, porque é aquele que cobiça, usurpa e parece impedir de crescer. Ele não é mais alto que a janela que se abre, pode ser até aquele degrau/impulso que precisamos para alcançar, olhar e chegar ao outro lado. As janelas estão por toda parte esperando se tornarem visíveis. Da minha, ainda entreaberta, vejo um caminho onde posso seguir em frente. Isso faz toda a diferença para a esperança que me sorri.

Acabou, você me faz feliz

Uma  pessoa tinha terminado  um relacionamento  e perguntei o que tinha acontecido. Ela me disse que o "ex" falou que não dava mais e justificou que no tempo que passaram juntos ele  tinha ido a lugares que nunca pensou, se divertido muito e sido feliz, enfim, estava na hora de voltar a velha vida. Como assim?  Pensei logo que ela tinha mesmo que se desculpar por fazer o outro feliz. Que absurdo! Como tirar uma pessoa do mesmo e apresentá-la ao novo? Esse motivo de término de relacionamento é inédito, pelo menos para mim. Já vi gente terminar por causa de traição, por desamor e até excesso de amor, por precisar se dedicar aos estudos e até mesmo por causa do trabalho... mas,  por  felicidade? Essa desculpa é tão nova como é antiga a busca de ser feliz, seja sozinho ou com o outro. E cá pra nós, ela é tão furada, que só podia mesmo resultar em  uma boa dose de arrependimento.  Por isso, quem não queria ser feliz voltou correndo para aquela qu...

Mãe

Está chegando aquela data comercial/afetiva que todo mundo adora: o dia das Mães. Correria para comprar presente...Na minha opinião o maior presente é a própria maternidade que é exercitada até por quem não tem filhos biológicos. O amor maternal, a atitude maternal , a gente tem desde sempre. Exercitada quando acolhemos amigos chorões, adotamos o outro como filho e prometemos protege-lo. Até mesmo aquele animalzinho que ensina o amor incondicional é um exercício diário... Absurdo? Absurdo é não amar, é ter filhos e não saber ser cúmplice, é não criar laços e passar a vida em branco, preocupada com o ter e deixar o sentir para segundo plano. Minha ideia de maternidade é essa. Um ótimo dia das mães para quem é mãe e para quem se sente.

Afetividade

Estava conversando com uma amiga sobre dar colo e quantas vezes as pessoas exigem que a gente sempre esteja disposta a ser o sorriso e o alto astral em relacionamentos. Dizem que aquilo que sobra em nossa casa, com certeza falta em alguma outra. Afetividade também. Às vezes, começamos com tanta afetividade e ombro amigo, que se não renovamos o estoque vão-se os dedos e todos os anéis. É preciso se amar um pouco mais e ter uma fase um pouco egoísta para também poder se dar. Acho que é por isso que de vez em quando, aquela pessoa sempre e super alto astral se torna sombria e ninguém entende nada. Não se pode exigir que se doe o que não se tem suficiente. Não é egoismo, é sobrevivência. Isso não é gostar menos do outro porque tudo na vida também é um via de mão dupla. Respirar, recarregar e amar sim o outro como a si mesmo, começando pelo mais óbvio, por si.